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A saída
da HP do mercado de tablets não significa que o iPad, da Apple, vai
continuar como o “rei supremo”, afirmaram analistas.
“O webOS nunca seria um matador do iPad”, disse a
analista da Technology Business Research, Ezra Gottheil. “Ele tinha chances no
mercado corporativo, mas nunca iria desafiar a posição muito forte da Apple no
mercado de consumidores de tablets.”
Na última quinta-feira, 18/8, a HP anunciou que
iria parar de fabricar tablets e smartpones com o webOS, o sistema operacional
que a empresa adquiriu quando comprou a Palm por 1,2 bilhão de dólares no ano
passado. A decisão – feita apenas semanas após a HP iniciar a venda do tablet
TouchPad – pegou a maioria dos analistas de surpresa.
Mas não é um sinal de que a Apple manterá sua
atual posição de maior vendedora de tablets do mercado: o webOS da HP era
simplesmente um rival muito pequeno – e provavelmente continuará assim.
“Eles eram o quarto cavalo em uma corrida de
três, disse Gottheil, fazendo referência a Apple com o iOS, a Google com o
Android e a Microsoft com ainda inédito Windows 8.
Já o analista da DisplaySearch, Chris Connery,
enxerga a batalha dos tablets ainda mais apertada, tendo apenas Apple e Google,
com a Microsoft ainda precisando provar sua habilidade de entrar para a
corrida. “Os tablets são um espaço de dois sistemas no momento”, disse Connery.
“A HP chegou muito rapidamente à conclusão que não havia espaço para três.”
Tanto Gottheil quanto Connery disseram que a
eutanásia dos tablets webOS pela HP não é um sinal que impede outros,
especialmente a Google, de desafiar ou até mesmo ultrapassar a Apple.
“Existem coisas que a Apple simplesmente não vai
fazer”, disse Gottheil. “Ela não vai criar uma variedade de tablets como os
fabricantes Android. E ela não competirá na seção de aparelhos mais básicos,
simplesmente por que não quer sacrifícios.”
Desafiar a Appleatualmente pode ser difícil, se
não impossível, pois os tablets rivais possuem a mesma faixa de preços, mas
isso não vai durar para sempre, afirma Gottheil.
“Em algum momento, os consumidores se dividirão
em grupos, com um dizendo ‘Quero algo bom o bastante que seja barato’, e o
outro dirá ‘Quero algo que seja ótimo.’ O primeiro,vai ficar com o Android”,
explica Gottheil.
Mas é difícil prever quando isso vai acontecer.
Nenhum dos analistas viu os tablets Android na
mesma linha de tempo relativamente curta que se desenvolveu para os smartphones
Android, e concordaram que provavelmente vai levar mais tempo para desafiar o
iPad do que levou para alcançar o iPhone.
“Penso que a curva possa ser um pouco mais
difícil para os tablets Android do que para os smartphones”, disse Connery. “A
Apple continua liderando.”
Connery notou que a aquisição da Motorola
Mobility pela Google – um negócio de US$12,5 bilhões anunciado no início da
semana – possui implicações na batalha iOS contra Android.
“A Google e a Motorola estão se juntando por
alguma razão, e não é apenas por causa das patentes”, diz. “Elas também tem os
tablets em mente.”
Os analistas em geral têm concordado que a compra
feita pela Google foi impulsionada por um desejo de aumentar seu portfólio de
patentes uma vez que ela defende o Android em disputas legais contra a Apple e
a Microsoft, apesar de alguns, como especialista em patentes Florian Mueller,
terem dito o contrário.
Mas mesmo que a dominância do iPad não seja
viável para sempre, não será fácil destroná-lo.
“A decisão da HP de não apenas sair do webOS, mas
talvez de todos os seus negócios de PC, mostra como é difícil hoje em dia estar
no mercado de eletrônicos de consumo”, conclui Connery. “Já vimos marcas e mais
marcas que não possuem uma base sustentável de consumidores. Todas querem estar
dentro (do mercado), mas uma vez lá, elas percebem como são pequenas as margens.
Quer dizer, todas menos a Apple.”
E
isso, completa Gottheil, é exatamente o que as ações da HP demonstram. |